“There's no regret more painful than the regret of things that never were.”
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 111
The Book of Disquiet
Original: Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
“There's no regret more painful than the regret of things that never were.”
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 111
The Book of Disquiet
Original: Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!
“Faithful to the word given and the idea had.
All else is up to God!”
Fernando Pessoa book Mensagem
Poem "D. Pedro", verses 11-12
Message
Original: Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo o mais é com Deus!
O único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:—
As coisas não têm significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.
Alberto Caeiro (heteronym), O Guardador de Rebanhos ("The Keeper of Sheep"), XXXIX, trans. Richard Zenith.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 413<ǃ--Assírio & Alvim, 2008-->
As quoted in Os Grandes Trechos, Richard Zenith Edition, Lisbon, 2006, p. 413
The Book of Disquiet
Original: Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido — tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma num facto, de a materializar e tornar exterior.
“The train slows down, it's the Cais do Sodré. I arrived to Lisbon, but not to a conclusion.”
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid.
The Book of Disquiet
Original: O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.
“Every man who deserves to be famous knows it is not worth the trouble.”
Todo o homem que merece ser célebre sabe que não vale a pena sê-lo.
A Celebridade (1915)
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 250
The Book of Disquiet
Original: Se eu tivesse escrito o Rei Lear, levaria com remorsos toda a minha vida de depois. Porque essa obra é tão grande, que enormes avultam os seus defeitos, os seus monstruosos defeitos, as coisas até mínimas que estão entre certas cenas e a perfeição possível delas. Não é o sol com manchas; é uma estátua grega partida.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 88
The Book of Disquiet
Original: Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma igual.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 89
The Book of Disquiet
Original: A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que lhe não compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade. O objecto torna-se realmente outro, porque o tornámos outro. Manufacturamos realidades.
“Strength without agility is a mere mass.”
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid.
The Book of Disquiet
Original: A força sem a destreza é uma simples massa.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 375
The Book of Disquiet
Original: Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em qualquer espírito, que não seja disforme, não existe crença em um Deus definido.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 100
The Book of Disquiet
Original: Entre mim e a vida há um vidro ténue. por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.
“My life is as if you've hit me with it.”
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 101
The Book of Disquiet
Original: A minha vida é como se me batessem com ela.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 182
The Book of Disquiet
Original: Penso as vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me "compreenda", os meus, a família verdadeiro para nela nascer e ser amado. [...] Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, quando vivo.
“To pretend is to know oneself.”
Fingir é conhecer-se.
Álvaro de Campos (heteronym), in Presença no. 5 (1927)
“Clear in thinking, and clear in feeling,
and clear in wanting”
Fernando Pessoa book Mensagem
Poem "D. Pedro", verses 1-2
Message
Original: Claro em pensar, e claro no sentir,
e claro no querer
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 371
The Book of Disquiet
Original: O homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como a de não poder fitar os seus próprios olhos.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 328
The Book of Disquiet
Original: Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz; porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo, logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid.
The Book of Disquiet
Original: O tédio é a falta de uma mitologia. A quem não tem crenças, até a dúvida é impossível, até o cepticismo não tem força para desconfiar.
“We become sphynxes, though fake, up to the point we no longer know who we are.”
Fernando Pessoa book The Book of Disquiet
Ibid., p. 52
The Book of Disquiet
Original: Tornamo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de não sabermos quem somos.